Quais as relações entre a arquitetura e a arte hoje? Uma mostra em cartaz em São Paulo, sobre o escritório japonês Sanaa, responsável, entre outros, pelo projeto do prédio do New Museum, em Nova York, mostra que cada vez mais as duas áreas se relacionamAo visitar a exposição Sejima + Nishizawa/ Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na cidade de São Paulo, a impressão que se tem, apesar de ser uma mostra de projetos da firma japonesa Sanaa, dos arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, é que ali se exibe o trabalho de uma dupla de artistas plásticos.
Já na entrada, no grande salão, uma maquete de 10 metros por 7, toda branca, espalha-se pelo chão e mostra, em detalhes, como será o Learning Center da Escola Politécnica Federal de Lausanne. A complexa estrutura, que divide seus espaços por meio das ondulações do próprio piso e do teto, tem o início de suas obras (começo de 2008) ilustrado em 28 fotografias acomodadas na sala menor do instituto.
Nas outras duas salas - que se diferenciam por exibir, em uma, maquetes e, em outra, fotos, desenhos e vídeos -, o tratamento dado às peças e a maneira de dispô-las constroem um impacto poderoso no público. A primeira, por exemplo, convida a um passeio surreal em meio a maquetes de prédios assinados pela dupla, marcados pelas estruturas finas e por transparências, como as caixas empilhadas do New Museum, em Nova York, e o projeto do anexo do Louvre, em Lens.
"Para mim, uma é a sala de esculturas (maquetes), e a outra, de pinturas (fotos, desenhos e vídeos)", diz Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, que negociou a vinda dos arquitetos com a curadora da exposição, a japonesa Yuko Hasegawa, por cerca de dois anos. "Não é fácil montar uma mostra como esta, mas a meta é ter a arquitetura dentro do nosso espaço pelo menos uma vez ao ano", conta.
As relações entre conceitos da arquitetura e das artes plásticas sempre existiram. Mas o que se vê hoje é uma forte simbiose, em que as mesmas idéias transitam entre os dois meios e uma área inspira a outra. Artistas como o norte-americano Olafur Eliasson e a brasileira Lucia Koch, por exemplo, usam a arquitetura como matéria prima de suas obras, enquanto que firmas de arquitetura, como a suíça Herzog & de Meuron (responsável, entre outros, pelo Estádio Nacional de Pequim, "o ninho de pássaro") e o próprio Sanaa, usam de conceitos da arte contemporânea em seus projetos.
Uma das maiores preocupações de Sejima e Nishizawa é encontrar maneiras de propor certos tipos de relações entre os indivíduos que ocupam um mesmo edifício, entre as pessoas e o próprio prédio, e entre a construção e seus arredores. Assim, criam casas em que todos os cômodos se comunicam, museus sem circuitos de visitas pré-definidos e paredes transparentes, que deixam ver, de dentro, o verde das árvores do entorno. Essas idéias, nada mais são que alguns dos conceitos da arte de hoje aplicados na prática.
Sejima + Nishizawa/ Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude demonstra, assim, não só as intersecções entre arte e arquitetura, mas prova também a importância da arquitetura, hoje, para as artes plásticas. E vice-versa.
Já na entrada, no grande salão, uma maquete de 10 metros por 7, toda branca, espalha-se pelo chão e mostra, em detalhes, como será o Learning Center da Escola Politécnica Federal de Lausanne. A complexa estrutura, que divide seus espaços por meio das ondulações do próprio piso e do teto, tem o início de suas obras (começo de 2008) ilustrado em 28 fotografias acomodadas na sala menor do instituto.
Nas outras duas salas - que se diferenciam por exibir, em uma, maquetes e, em outra, fotos, desenhos e vídeos -, o tratamento dado às peças e a maneira de dispô-las constroem um impacto poderoso no público. A primeira, por exemplo, convida a um passeio surreal em meio a maquetes de prédios assinados pela dupla, marcados pelas estruturas finas e por transparências, como as caixas empilhadas do New Museum, em Nova York, e o projeto do anexo do Louvre, em Lens.
"Para mim, uma é a sala de esculturas (maquetes), e a outra, de pinturas (fotos, desenhos e vídeos)", diz Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, que negociou a vinda dos arquitetos com a curadora da exposição, a japonesa Yuko Hasegawa, por cerca de dois anos. "Não é fácil montar uma mostra como esta, mas a meta é ter a arquitetura dentro do nosso espaço pelo menos uma vez ao ano", conta.
As relações entre conceitos da arquitetura e das artes plásticas sempre existiram. Mas o que se vê hoje é uma forte simbiose, em que as mesmas idéias transitam entre os dois meios e uma área inspira a outra. Artistas como o norte-americano Olafur Eliasson e a brasileira Lucia Koch, por exemplo, usam a arquitetura como matéria prima de suas obras, enquanto que firmas de arquitetura, como a suíça Herzog & de Meuron (responsável, entre outros, pelo Estádio Nacional de Pequim, "o ninho de pássaro") e o próprio Sanaa, usam de conceitos da arte contemporânea em seus projetos.
Uma das maiores preocupações de Sejima e Nishizawa é encontrar maneiras de propor certos tipos de relações entre os indivíduos que ocupam um mesmo edifício, entre as pessoas e o próprio prédio, e entre a construção e seus arredores. Assim, criam casas em que todos os cômodos se comunicam, museus sem circuitos de visitas pré-definidos e paredes transparentes, que deixam ver, de dentro, o verde das árvores do entorno. Essas idéias, nada mais são que alguns dos conceitos da arte de hoje aplicados na prática.
Sejima + Nishizawa/ Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude demonstra, assim, não só as intersecções entre arte e arquitetura, mas prova também a importância da arquitetura, hoje, para as artes plásticas. E vice-versa.
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