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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Nós vamos invadir sua praia


Pessoal,

Não sei se viram a matéria que saiu na ilustrada da Folha. 

Gringos reforçam arquitetura de SP.

Trata-se do pouso em terras Brazucas – São Paulo - do escritório com sede em Nova York, ABB Aedas.
No post anterior, publiquei um link com o ranking dos cem maiores escritórios do mundo, onde figura o Aedas com faturamento de 18,6 milhões de dólares, só em projetos de Cultura (Teatro e museus).
De acordo com a matéria, os gringos ficaram animados com a tal internacionalização da arquitetura Brasileira, marcada com a vinda de Siza, com seu recém inaugurado, Museu Iberê Camargo/RS; Christhian de Portzamparc – com a construção a la brasileira da Cidade da Música/RJ – ; a famigerada contratação de Herzog & De Meron para o projeto do Teatro de Ópera e Dança na cracolândia, bem como, as investidas internacionais de nosso Priztker PMR. Se bem que o Aedas já vinha roncando a cuíca por estas bandas, com a realização de alguns projetos; em Guarulhos, Sorocaba e Campinas.
Quem irá pilotar a firma gringa por aqui é a arquiteta Anna Julia Dietzsch, brasileira, da FAUUSP, que diz sobre um projeto do Aedas para torres residenciais em São Paulo:
” Queremos uma área permeável e aberta para a cidade, não será um dos condomínios típicos de São Paulo.” Bonito!
Ah, quem ilustra a matéria é o escritório franco-braileiro Triptyque, como exemplo de atuação gringa na terra da garoa.

E nesse clima um tanto melindroso de globalização arquitetural no Brasil, vem a calhar o que Dr. Lúcio escreveu em, Registro de uma vivência:
”Recusar subserviência, inclusive cultural, mas absorver e assimilar a inovação alheia.”

É isso aí, " deixa o zóme trabalhá". 

domingo, setembro 14, 2008

Ora beira do caos, ora eira da paz

Em torno a panacéia arquitetônica de toda ordem, acho até natural a vista turvar e perder o foco. Esfregamos os olhos, limpamos os óculos e ainda essa imagem blur, inquieta, incômoda, resiste, ...
Quando isso acontece, o coração pode reconfortar-se abrindo um livrinho, quase um pocket, muito singelo mesmo, escrito na capa somente, arquitetura. São palavras do Dr. Lúcio à gente moça do ensino secundário, em encomenda feita pelo Ministério da Educação para integrar uma coleção de dez livrinhos sobre cultura nunca antes comercializados.
Na orelha alguns recados de Lucio:

“O Brasil é um país precursor, dará o seu recado no tempo certo.”

”...recusar subserviência, inclusive cultural, mas absorver e assimilar a inovação alheia.”

“Apesar dos contrastes e das circunstâncias, o país, graças à força viva que o impele, está fadado a um grande destino porque não tem vocação para a mediocridade.O Brasil jamais será um país medíocre.”

Bonito!,... a quanto tempo eu não ouvia algo assim,...

E olhem só, separei esse trecho em que o próprio Lúcio descreve seu coração reconfortado:

“Vendo aquelas casas, aquelas igrejas, de surpresa em surpresa, a gente como que se encontra, fica contente, feliz, e se lembra de coisas esquecidas, de coisas que a gente nunca soube, mas que estavam lá dentro de nós.” (1929)

Praticamente um acalanto para o espírito.