domingo, novembro 23, 2008

Choques Funcionais – Poesia e utilitarismo


 Basketbar


Muito pertinente o texto publicado no site vitrúvius  - Bola, dobra, pneu, desdobra, arte, redobra, bar... Agenciamentos arquiteturais no contemporâneo, que faz paralelo com a obra: A dobra, do filósofo francês Gilles Deleuze, na análise de dois projetos; um edifício bar no térreo com quadra de basquete na sua cobertura e outro, loja de pneus no térreo com galeria de arte no superior.
A princípio, algo realmente inusitado, unir funções tão distintas, pertencentes à diferentes classes de usos, espacializadas na cidade em setores próprios, e agora juntas num mesmo edifício?
Antes de se aplicar um esquema, estratégia, arranjo espacial, formal, ligados à materialidade da obra; os arquitetos partem de uma reflexão sobre
  utilização e necessidades, conforme diz Medrano, autor do projeto Basket-bar:

 “Um programa simples. Parte da observação das necessidades locais e, de seu entendimento, avigora a proposição de justapor funções. [...] O Basket-Bar reforça certas lições: apesar de ser uma pequena intervenção – nada "formal" – supera seu programa (visto como ação; deleuziana) e faz-se por um desejo urbano, cotidiano, utilitário, citadino. Uma busca por relações. Uma proposta de cidade”. 

Um exemplo muito interessante de como a arquitetura, trabalhada inicialmente num plano “extra-formal”, cria resultados excepcionalmente novos, materializados a partir de um repertório conhecido.

O esforço que não está apenas no labor do desenho, nas exaustivas operações compositivas, na investigação de uma forma, mas no pensamento justaposto das relações de espaço, tempo e sobretudo humanas.
Comentando a obra de Hélio Piñon, teoria do projeto, Mhafuz
diz em relação ao programa:

“O programa é o maior vínculo que um projeto mantém com a realidade; sendo a realidade o seu horizonte, o sentido de um projeto é articulá-la. "

"... a verdadeira novidade em arquitetura aparece quando muda a sua concepção programática, que é o verdadeiro reflexo do espírito dos tempos.”

No afã de contemplar, como diz Medrano, a questão cotidiana, utilitária, citadina, cria-se sobretudo algo diferente, que no texto é definido como: “...que transcende a síntese da materialidade formal para uma síntese da virtualidade poética”. Entende-se então que essa virtualidade poética é o elemento novo, a citada novidade, a energia emanada dos choques funcionais, a subjetividade que banha algo materialmente conhecido e o transforma em algo a se descobrir.
Essa subjetividade analisada no texto, pode ser comparada com o conceito de Visualidade citado por Piñon, como sendo uma via de duas mãos, que parte da configuração formal criada pelo projetista, mas que necessita da contrapartida do indivíduo que a observa, ser percebida e entendida para que ocorra a completude do artefato arquitetônico. Ou seja, o projeto materializado na sua síntese formal, necessita da interação do sujeito para que o potencial subjetivo da obra venha à tona. E até pode-se dizer que com esse necessário apoio sobre a observação do indivíduo para que a obra revele-se no limiar mais elevado, completo, de sua concepção, seja uma das brechas por onde penetram os equívocos e confusões acerca do entendimento, percepção e logo existência da arquitetura. Pois o que não conhecemos, ao menos nesse dado instante, é algo que não existe.
Vale a pena ainda, ilustrar uma atitude projetual, citada por Piñon, extremamente pernisiosa e que pode-se entender como fruto de um formalismo cego; a idéia.
Diz que a idéia, é uma forma de se projetar ao contrário, que começa pelo fim. Onde primeiramente se determina o ponto onde se quer chegar, reduzindo o projeto a uma mera forma de comprovação de algo já concebido, malogrando soluções extraídas do processo que conferiria a arquitetura como artefato de qualidade à retratação de uma abstração engendrada por qualquer arbitrariedade. Onde a conseqüência desse atalho, para se criar algo novo, espantoso, midiático, é um edifício incipiente no melhor dos casos.
Não pode-se dizer, que a forma dentro desse plano exposto, não importa ou adquiri conotação menor. A forma nesse caso, está substancialmente calcada na coexistência com os demais elementos que a animam . Assim, a forma passa a trabalhar para, e não como sendo o fim, o próprio 
métier modernista, (para relembrar, não-tipológico), organizando funções e suas relações, que desta vez, justapostas.
Retirando a “sobrecarga” sobre a forma, ilumina-se conceitos baseados na observação, no comportamento, nas novas relações e necessidades, coisas naturais da evolução, que do contrário atrofiam-se, fadados a um anacronismo.
Um híbrido que não somente cria um tipo de espécie nova, mas uma proposta de se pensar a arquitetura, como algo mais real, útil e poético.

http://www.camenzindevolution.com - loja de pneus e galeria de arte.
http://www.nlarchitects.nl - basketbar
Livro: Hélio Piñon - Teoria do Projeto

domingo, novembro 09, 2008

Green and Yellow October


O mês passado mostrou-se fecundo no que diz respeito aos concursos.
Temos cinco premiados brasileiros no concurso latino da Holcin de eficiência energética, onde Angelo Bucci levou a medalha de prata e  U$50.000 pelo projeto já ganhador do primeiro lugar para Biblioteca da PUC-RJ. Depois de construída Bucci provavelmente levará mais alguns prêmios pra casa e por que não?

Veja o projeto: http://www.holcimfoundation.org/T833/A08LAsi.htm#prj

Enquanto isso, um grupo de jovens arquitetos brasileiros, sendo o mais velho Victor Paixão de 26 anos, formado pela Mackenzie em 2006, reuniu o grupo formado por Bruno Castro, Miguel Felipe Muralha, Paula Sertório e os graduandos Tiago Florese e  André Alessio Mack que emplacaram uma menção no concurso internacional de arquitetura London 2008.

Projeto muito bonito, uma galeria de arte e arquitetura sobre uma balsa no rio Tamisa, que ficou entre os 12 selecionados de 347 projetos inscritos de toda a parte do mundo.

Conheça os premiados e demais laureados no link http://www.arquitectum.com/index.php

 

sábado, novembro 01, 2008

Impressionismo panfletário



Não sairei por aí colhendo panflentos imobiliários, mas, se alguns deles caírem em minhas mãos, não os rejeitarei, aceitarei com muito bom grado, darei uma olhada, e se for dos bons, publicarei aqui.
Mas o que é um bom panfleto imobiliário?
Um bom panfleto imobiliário é aquele que possue um diferencial, um conceito que permeia o panfleto pelo panfleto. Uma coisa ligada a subjetividade a nível de papel impresso. Algo que muitas vezes não é percebido, desconheço a razão, talvez descofie, mas o caso é que passa anônimo pelas mãos dos futuros compradores todo um conceito finamente elaborado. Muitas vezes é até alvo de pesquisas no google.
Não confundam com arquitetura, a arquitetura funciona meramente como um veículo a transportar a coisa em questão. Ela não tem qualquer conexão com a mensagem engendradada pelo alto escalão de elaboradores de panfletos. Qualquer conexão com a arquitetura é mera coincidência. 
Para dar o devido colorido a este post, penduro um panfleto que ilustra tudo isso, o emprendimento Alfred Sisley, com a seguinte chamada: Uma obra de arte com a marca do impressionismo. O edifício é um recorrente neomameluco eclético, ligado a corrente semafórica de arquitetura, mas não vem ao caso como disse.
Um primor de panfleto que usou, ousou, abusou e se lambuzou, transcendendo as barreiras da azia e da má digestão. 
Sei que existem muitos outros rolando por aí sem o devido reconhecimento. Se tens algum desses em mãos, os publicarei aqui com o maior prazer.
Alfred Sisley foi um pintor impressionista da segunda metade do séc. 19, amigo de Monet, Renoir e cia. E como os da maioria da classe, passou por apertos finaceiros, não vendendo quase nada em vida. Nada mais justo agora, vender apartamentos com seu nome, com churrasqueira na sacada e no Batel. Que virada em Alfred?
Gostei da tipologia utilizada, parece tipo uma assinatura.


domingo, outubro 26, 2008

Concurso sede CREA-PR


O famigerado concurso para a sede do Crea-PR parece que sai.
Após 1 ano de rumores, sai nota no boletim do Crea do primeiro plenário.
Apesar de todos receberem o boletim, acho oportuno deixar registrado.

Plenário aprova a construção da nova sede em Curitiba

O Plenário do CREA-PR, reunido extraordinariamente no último dia 20, decidiu unanimemente aprovar a construção da nova sede do CREA-PR no terreno situado na Rua Mateus Leme referendando a Decisão de Plenário 139/2006.

Durante o encontro que reuniu conselheiros, representantes de entidades de classe e demais profissionais, a questão foi amplamente discutida. As reivindicações e ponderações feitas com relação aos conceitos do concurso que escolherá o Projeto Arquitetônico da Nova Sede foram acatadas, dentre as quais Planejamento Sustentável da Obra, Aproveitamento Passivo dos Recursos Naturais, Eficiência Energética, Gestão e Economia da Água, Gestão dos Resíduos na Edificação, Qualidade do Ar e do Ambiente Interior, Conforto Termo-acústico, Uso racional de Materiais, Uso de Produtos e Tecnologias Ambientalmente Amigáveis, Acessibilidade, Tecnologia para Automação Industrial e Exequibilidade da Obra.

O concurso será realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) - PR. Toda a divulgação do concurso será feita pelo site do CREA-PR. "A criatividade dos profissionais da Arquitetura trará uma solução que seja referência para a sociedade no atendimento aos princípios de sustentabilidade e conceitos elencados pelo Plenário. O resultado será o engrandecimento da Arquitetura e Engenharia paranaenses", diz o presidente do CREA.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Zaha e Chanel



A notícia não é nova, no entanto, ganhou maior repercussão com o pouso da nave Chanel projetada por Zaha Hadid no gramado do Central Park em Nova Iorque.
Trata-se do Mobile Art, um museu itinerante com exposições de artistas famosos, que realizaram suas obras na temática, bolsas da Chanel.
O pavilhão ja passou por Hong Kong e Tóquio. Os próximos pousos depois de Nova Iorque serão Londres (jun/2009), Moscou (set/2009) e Paris (jan e fev/2009). O agitador do esquema é o estilista da Chanel, o alemão Karl Lagerfeld, 74, que aparece ao lado de Zaha na foto. Numa nota muito fecunda que saiu na ilustrada, declarou que odeia crianças, pois não nasceu para ser um ser familiar, não gosta de pessoas gordas e não gosta que pessoas estranhas o toquem.
-Nossa, desculpa,...
Ahh, a entrada é de grátis. Agora sim!

Apreciem o trabalho de Zaha no video abaixo




e mais imagens aqui

terça-feira, outubro 21, 2008

'Sweet' Lord


Creio que nao e' coincidencia, Lord Foster esta' por cima da carne seca. Tranquilamente o 'master fucking shit' da arquitetura contemporanea. 
Agora ele ataca de arquiteto naval. Desenhou um super iate, e me parece que o fez direitinho.

Vejam com seus proprios olhos no link: http://www.yachtplus.co.uk/

 

CLASSIFICADOS

E de olho na revista francesa avivre (muito boa por sinal), olha so’ o que encontro nos classificados…

Quem se habilita?!?!?! Aproveite que o preco ta  bom.

OMAR



A proposta de vir trabalhar em Saint Martin surgiu com a contratação de Fabiano pelo escritório do Lord Norman Foster. O processo de transição (como se diz em transferência de gestão de cargos executivos) durou por volta de dois meses. Ficamos em contato intenso por e-mails e msn onde ele tratou de me passar grande parte das informações pertinentes à vida caribenha, grande parte, não todas. Lembro-me bem de ter perguntado um par de vezes – ‘E esse lance de furacão ai, como é?!’- o silêncio imperava, nunca fui respondido. Pensava, será que isso é lenda? Será que estou fazendo uma pergunta estúpida para quem vive lá? Finalmente depois que aqui cheguei entendi ...Fabiano ‘Zé Pequeno’ Friedrich me passava todas as informações, desde que convenientes e tranqüilizadoras.

Passamos 10 dias juntos aqui em Saint Martin, e meu cicerone foi de primeira. O cara simplesmente, e isso percebi ao longo do tempo, me passou as informações e rotas realmente importantes, como se filtradas, nada prolixo, preciso. (Só, mais uma vez de forma conveniente, esqueceu de me dizer que a cama estava quebrada).

Coincidências não existem, mas por coincidência cheguei na ilha em setembro, mês que começa a temporada de furacões, e foi tranqüilo, nenhum resquício de que os furacões existiam. Em outubro um pequeno tremor de terra que teve como epicentro a Martinica serviu para sacudir um pouco a vida por aqui. De furacões apenas se ouvia falar do Louis, que em 1997 deu uma banda de 48 horas por Saint Martin e sacou 80% dos telhados da ilha, além de criar o campo de golfe de Mullet Bay, onde antes havia uma importante densidade residencial.

Os dias passaram, em dezembro a esperada chegada da Siça, desde quando passamos a ser um casal casado, na prática. Desde então seguimos a vida, Siça descolou um emprego meses depois. Semanas de trampo, sextas-feiras de boêmia, fins de semana de Philisburg (Paraguai Antilhano) e muita praia.

Em final de agosto e por todo setembro passamos a receber constantes e-mails do serviço ‘sxmcyclone’ noticiando estragos importantíssimos no Haiti, em Cuba, New Orleans novamente era alvo de um filhote do Katrina, e Saint Martin como que desviando das rotas dos batizados fenômenos. (Cada tempestade tropical ou furacão recebe um nome, intercalando um nome masculino e um feminino, os que ficam muito famosos têm seu nome aposentado, como a camisa 32 dos Lakers depois de Magic Johnson).

Depois de um raro final de semana completamente cinza e chuvoso, na segunda-feira, 13 de outubro, o correio do ‘sxmcyclone’ nos anuncia o OMAR, furacão de força 1 (o mais tranqüilo de uma graduação de 1 a 5, determinada pela velocidade dos ventos) que nasce na costa da Venezuela (pra mim coisa do Chávez) com rota a nordeste, ou seja, mirou Saint Martin e vinha determinado. Alertas, primeiro o amarelo – indicando ventos fortes e sugerindo certa restrição a passeios marítimos. No site a foto satélite trazia um monstro se formando no mar do Caribe. Depois o alerta laranja, restrição importante a atividades no mar, e cuidado com os ventos. Até que terça-feira, 14/10, durante a noite se intensificaram os avisos de alerta vermelho, restrição total de atividades marítimas, todos para suas casas para proteger-se e protegê-las da chegada do OMAR, que nos faria uma visita na madrugada de quarta para quinta. Previsão de um furacão de categoria 1, com ventos de 65 a 120 km/h com rafaelas (ocasionais rajadas de vento) de até 180 km/h.

Amanhece quarta-feira (15/10), clima de furacão. Grande parte do comércio não abriu ou funcionou até meio-dia, ruas vazias, Os mercados chineses lotados, todos comprando muita água e mantimentos, Eu não sabia muito bem qual seria a intensidade da coisa, bom, isso ninguém sabia. Mas nós brasucas meio que recém chegados, não sabíamos o grau de confinamento, ou de proteção, ou melhor, que medidas adotar. Pelas 9 da manhã chega Pablo (el jefe) no escritório, e em meio a uma olhada no trampo que eu estava fazendo me pergunta – “?Ustedes tienen voile roullon en casa?” – não precisei de um segundo para pensar “Ixi, fodeu”. Neste momento se criou uma facção dos ‘sem’, além dos sem terra e sem teto, nas terras vulneráveis a furacão existem os ‘sem shutter’. Categoria na qual estamos incluídos eu e Simone. Voile Roullon = Shutter = espécie de persiana horizontal que veda as aberturas da casa contra furacões.

Logo tivemos que armar um plano, Simone sairia de Philisburg, onde trabalha, por volta das 3 da tarde, passaria no meu escritório, depois de conseguir comprar a maior quantidade de água possível no caminho. Depois de me pegar passaríamos no ‘china’ comprar mais uma maior quantidade de água possível (quando passamos no china nessa hora esta rolando um mega descarregamento de água). Passaríamos em casa pegar documentos, grana, esvaziar a varanda, colocar fitas nos vidros, tapetes na porta de entrada, desligar chave geral, e aí partiríamos para a casa do Pablo, localizada entre morros (menos vulnerável que a beira-mar), e equipada com shutters e proteções em todos os vidros, além disso algumas janelas são equipadas com vidros basculantes para resistiram a ventos de até 300 km/h.

Quando saímos de casa passamos por carros de polícia ratificando o alerta de confinamento, alerta violeta. Confinamento total e absoluto, ruas vazias, shutters fechados, todos dentro de casa a partir das 17 horas. No caminho caia uma chuva animal, a ilha, que não tem infra-estrutura de drenagem nem pra garoa, estava quase completamente inundada antes mesmo de OMAR chegar.

Chegamos finalmente à casa de Pablo e família (Silvia, sua mulher, e os filhos Malena e Felipe). Logo demos os últimos acabamentos para proteger a casa, ligamos o rádio e a internet para receber os boletins de atualização. A cada boletim Silvia atualizava as coordenadas do OMAR em seu mapa do mar do Caribe, e diretamente se conferia a posição do bicho na foto-satélite. Constatação: Saint Martin estava perfeitamente locado na rota do furacão, mas continuava como categoria 1. Os ventos gradativamente ganhavam força. Como prevíamos uma noite de não sono a cerveja vinha muito bem, comemos, assistimos uma película e meia, até que decidimos esperar a visita na cama, como se pudéssemos dormir em véspera de Natal.

Todos acomodados quando por volta da 1 da madruga (16/10) começa um vento alucinante, extremamente forte, desperto de golpe, e através da janela anti-furacão vejo as pauladas do vento nas árvores e sinto sua velocidade super intensa. O vento não assobiava, cantava em bom tom. Neste momento meu pensamento era ‘c....., pqp, até que ponto isso vai crescer?’ Era algo realmente violento. Neste momento instintivamente todos nos encontramos na casa, meio que para confirmar que aquilo estava passando; confirmado estava. A parada era violenta e não sabíamos o quanto se fortaleceria, ou se logo passaria, o auge estava programado pelos pesquisadores para 6 horas da manhã, 5 horas de intensificação pela frente.

Entre 1 e 3 horas da madruga várias rafaelas rolaram, não havia como pregar o olho, do meu lado Simone dormia o mais tranquilamente possível. A ultima vez que olhei as horas eram exatamente 3:11 da madruga, e daí fui acordar as 7 da matina, havia dormido como um anjo por 4 horas. Ou seja, a visita do OMAR durou pouco mais de 2 horas.

Já de manhã, voltamos todos a nos encontrar na sala da casa, primeira coisa: ver pela internet o que realmente tinha acontecido. O furacão se fortaleceu durante o caminho, tornou-se um furacão de categoria 3, com ventos de 260 km/h, porém assim como os homens, quanto mais forte mais generoso se tornou OMAR, que se distanciou 50 km da costa de Saint Martin, não atingiu diretamente nenhum território. Passou exatemente entre Saint Martin e Saint Croix. Os ventos que chegaram até nós tinham 140 km/h, com rafaelas de até 180 km/h. Segunda ação a tomar, desejar feliz cumpleaños para Silvia, o OMAR fez questão de passar justo em seu aniversário. Data marcante.

A manhã foi de alerta gris, confinamento para limpar as ruas, tirar os fios elétricos do caminho, limpar as casas e arredores. Isso que fizemos. OMAR limpou a área, fez um lindo dia de sol que passamos na piscina, uma beleza. Como a noite foi bastante tensa Simone e eu voltamos para a casa no início da tarde para uma sesta revigorante. Ao chegar tínhamos um pouco de água dentro do apartamento, 1 hora para reorganizarmos tudo, e cama! No outro dia a vida começaria a voltar ao normal.

Em suma, no lado francês da ilha não houve grandes danos, alguma fiação elétrica, algumas casas inundadas, as áreas a beira-mar bastante revoltas e sujas, alguns catamarans de cabeça para baixo. Já no lado holandês o OMAR pegou forte, exatamente na área atingida pelo Louis em 1997. Mullet Bay, que de área residencial passou a ser campo de golfe, deverá ser destinada a um novo uso. Canchas de vôlei de praia talvez. Um dos botecos mais legais da ilha, o Sunset, ao lado do aeroporto onde se podiam ver os aviões pousarem a 100 metros de distância, foi destruído, entre outros picos da night martiniana. Sint Maarten, nome holandês da ilha, deve ficar pelo menos 10 dias sem energia elétrica, a previsão de ter os serviços púbicos operando normalmente é de 2 semanas. Por outro lado, o trabalho de alertas foi bem feito, não houve nenhum registro de mortos ou feridos, apenas uma pessoa desaparecida, mas era ilegal então não dá nada.

Na sexta-feira (17/10) estávamos todos, pelo menos o que tinham energia elétrica de volta ao trabalho. Um dia de ressaca, muito bem encaixado numa sexta-feira. Eu e Pablo fomos almoçar no Da Vinci, onde tem uma pizza da boa, a favorita é a Alexandrie que leva cogumelos e alcachofra. A senhora que nos atendeu é muito simpática, começamos a conversar sobre o OMAR, e ela nos disse que acabara de ouvir no rádio que ELE iria dar meia-volta, deve ter esquecido algo.



segunda-feira, outubro 20, 2008

Foster e U2

Mais Foster? rsrsrsrsrs
Só mais essa e parei!
A notícia é de 3 meses atrás, mas vale registrar.

Os músicos Bono e The Edge, do grupo irlandês U2, modernizarão o hotel The Clarence, um dos hotéis mais emblemáticos de Dublin (Irlanda), com um polêmico desenho do arquiteto Norman Foster, que inclui uma cúpula gigante, apesar da oposição de algumas organizações.

Reuters

Cantor Bono, líder do grupo irlandês U2, vai modernizar hotel histórico em Dublin
Os dois músicos, que adquiriram o edifício de 49 quartos em 1992, conseguiram nesta quinta-feira (17) autorização governamental para iniciar as obras, que serão responsabilidade de Foster, prêmio Pritzker de Arquitetura em 1999, considerado o Nobel da Arquitetura.

O desenho de Foster, que custara cerca de 150 milhões de euros (aproximadamente 237 milhões de euros no câmbio de hoje), envolve a derrubada de parte do edifício original, de 1852, e a construção de uma enorme cúpula de vidro no telhado.

Além de Bono e The Edge, o hotel, situado às margens do rio Liffey, conta com outros dois sócios, ambos promotores imobiliários.

Várias organizações locais opõem-se às obras no hotel porque, no processo, serão derrubados vários edifícios adjacentes de valor histórico, embora, como no caso do The Clarence, terão suas fachadas conservadas.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u423690.shtml

domingo, outubro 19, 2008

Foster na Fórmula 1


Depois da vitória de Louis Hamilton hoje no GP da China, as coisas ficam muito mais difíceis para Massa, que apesar do segundo lugar, terá que torcer por uma combinação de resultados no GP do Brasil, uma delas é Massa em primeiro e Louis em sexto. É algo realmente difícil de ocorrer, porém não impossível. Contamos, com as habilidades mirabolantes do Inglês, em estacionar sua Mclaren na retaguarda de alguém, que não seja a do Felipe é claro.
Falando em formula 1 e também em Mclaren, por que não falar de Sir Norman Foster?
- Outra vez?
Pois é!,... até nisso tem a mão do homem.
Trata-se do Mclaren Technology Center de 2004, nada mais do que o QG da Mclaren, localizado a 40Km de Woking no Reino Unido, em uma área de 50 hectares.
O edifício em forma de feijão está inscrito num retângulo de 100m por 200m com 11m de altura.Possui 57.000m² onde trabalham 900 funcionários, área suficiente para estacionar 9 jumbos.
O charmoso lago junto ao edifício, com 50.000m³ de água, funciona também como sistema de arrefecimento do prédio, sendo esta uma das principais características da obra.
Essas coisas do Norman são muito singelas mesmo.