quinta-feira, janeiro 22, 2009

A contratacao de arquitetos estrangeiros para a realizacao de projetos importantes deve fazer bem ao Brasil, espero que tenha uma repercussao proxima a que houve quando o Corbu veio, a convite de Lucio Costa apoiado pelo entao ministro da cultura Gustavo Capanema, para contribuir no projeto do MEC, obra pioneira de uma arquitetura moderna brasileira, original, mesmo seguindo os conceitos corbusianos.

Agora o que vem de certa forma ditar as regras arquitetonicas em acordancia com a globalizacao e’ o SUPERMODERNISMO, conceituado em livro de Hans Ibelings que leva esse nome (Gustavo Gili, 1998). A arquitetura supermoderna assumiria uma neutralidade em relacao ao seu lugar de implantacao, o que favorece a padronizacao e permite uma reaplicacao daquele modelo em diferentes lugares e acomodando diferentes programas.

Em termos gerais nao me agrada essa neutralidade. A percepção mais superficial já pode nos fazer perceber que caminhamos a uma padronização. Os rumos da globalização indicam um certo modo de vida àqueles que abraçaram a ocidentalização, até hoje muito próximo ao american way of life (em franca decadencia a um bom tempo) que utiliza um disfarce democrático e libertário para nos atrair a sua rede de consumo e competição ferrenhos.

Acredito que temos que trabalhar como agentes anti-cultura dominante, inclusive para ajudar a Terra a voltar ao seu batimento cardíaco natural (ver Leonardo Boff, artigo postado a seguir). Estimular a resistência das características inerentes a cada organismo seja isso um ser ou um povo. O que a história e a evolução natural criaram deve ser avaliado com olhos de principiante, sem preconceitos e com a busca a uma contextualização de tempo e espaço.

Outro dia li um texto do Lebbeus Woods sobre a padronização onde ele dizia observar que “o desaparecimento de diferentes culturas locais, como resultado da expansao global do consumismo e suas marcas associadas ao marketing de massa, so’ faz crescer. Cedo ou tarde cada ocupacao humana parecera igual.” (http://lebbeuswoods.wordpress.com/2009/01/13/same-difference/)

Algo que me chamou a atencao sobre esse tema foram os aeroportos antilhanos de Curaçau e San Martin, por onde passei a pouco tempo.

No caso de San Martin foi construído um aeroporto que poderia estar em qualquer lugar do mundo. Atende bem a seu uso específico, porém a solução térmica é o ar condicionado, os materiais utilizados conferem uma cara hi-tech à construção e, além disso, o edifício é hermeticamente fechado, não há comunicação nenhuma com o exterior. O resultado é uma obra impessoal, insossa, ou seja, um padrão. As pessoas lá estão com cara de aeroporto, não de Caribe.


Vista do aeroporto de Sint Maarten


Vista Interna do aeroporto de Sint Maarten

Já em Curaçau foi construído um aeroporto caribenho, concebido tecnicamente com as soluções térmicas interessantes, como sheds para iluminação e ventilação natural, e mega ventiladores (da marca big ass fans), mas a principal adequação (e segundo Contanza, elegância é adequação) é o partido arquitetônico local. As empenas remetem as construcoes historicas de Curacau, para ilustrar essa analogia seguem as imagens do Landhuis Daniel, antiga sede de fazenda que foi transformada em hotel-restaurante, do centro historico de Curacau e do Aeroporto.

Vista do Hotel-Restaurante Landhuis Daniel que ocupa a sede de uma antiga fazenda.

Vista do centro historico de Curacau que passou por um importante processo de revitalização.

Vista do Aeroporto de Curacau

Como organizacao do complexo programa do aeroporto, o autor optou pela criação de um átrio entre as áreas de embarque e desembarque que funciona como uma praça. As atividades comerciais do aeroporto estão voltadas para essa praça, o que gera um espaço de convívio, que inclusive estimula o consumo, muito bem aproveitado, ali as pessoas estao desfrutando do clima caribenho, mesmo a poucas horas de embarcar de volta a vida real.

Vista do Atrio entre as areas de embarque e desembarque do aeroporto de Curacau.

Num paralelo resumido entre as duas obras, identifico o aeroporto Martiniano como o de arquitetura globalizada, neutra, daqueles que se poderia vender como partido arquitetonico para qualquer sitio ou programa. E o de Curacau como uma obra identificada com seu entorno e de acordo com as sensacoes buscadas pelas pessoas que o utilizam.

Sera importante que nessas intervencoes de arquitetos estrangeiros, parte deles supermodernos, no Brasil, alem das caracteristicas inerentes a sua arquitetura, se possa observar suas leituras sobre os espacos urbanos, e que isto favoreca as demandas sociais a ponto de gerar uma contribuicao que transcenda o edificio, o que acredito que acontecera, ou ja esta acontecendo.

P.S.: vale a pena uma olhada no pouso dos avioes no aeroporto de Sint Maarten

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa a sua analise pois mostra o bom uso das referencias do lugar. Nao e nem o o.v.n.i nem uma copia! Mas e complicado as vezes voce conseguir enxergar todas essas referencias. Como fazer isso em grandes metropoles que ja nao possuem mais suas raizes tao expostas como Curacau.

BARÃO AMBIENTAL disse...

orra... Vamos surfar as ondinhas geradas pelas turbinas!
o piloto tem q ter braço pra descer aí... e os expectadores culhões!
Dá-lhe Tuurbay, maneirissimo o blog. É isso aí, o espírito dos lugares...todos tem o seu se deixarmos ele se manifestar!
E aqui fica o abraço cheio de bons espíritos da nossa casa!