sexta-feira, outubro 17, 2008

Foster na América do Sul


Acharam que era no Brasil é? né não.
É na nossa vizinha Arrentina, hola que tal!!!!
Por iniciativa de um sujeito chamado Alan Faena,...
- O cara do Faena Hotel + Universe?
Opa, esse mesmo.
O Sr. Alan Faena foi bater na porta do Sir Norman Foster pedindo
um projetinho de Hotel, o Aleph, que fará parte do 
Faena Art District.
Projeto ambicioso que combina espaços público e privado, comercial, residencial e cultural, com investimento de US$ 300 miliones! a ser implantado no mesmo badalado bairro de Puerto Madero, onde está o Faena+Universe.  
Será o primeiro Foster na América do Sul?
Não tenho notícia de nenhum outro.


Esta notícia pipocou no site da Isto é dinheiro.
Entrem lá vejam os parceiros fracos que estão na jogada.
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/521/artigo61471-1.htm

O projeto pode ser visto no site do Sir Norman Foster
http://www.fosterandpartners.com



terça-feira, outubro 14, 2008

Lembram do Teatro de Natal?



Olhem o que saiu no diário de Natal com o título "Projetos culturais estão travados" .
E dentre eles o teatro de Natal, concurso vencido por Biseli em 2006.

As obras do Teatro de Natal ainda não saíram do papel. Com o projeto aprovado em concurso público em 2006, a previsão era que as obras começassem em setembro daquele ano, com prazo de dois anos e meio para conclusão. Autor do projeto vencedor, o arquiteto paulista Mário Biselli assinou contrato com a Fundação José Augusto no dia 19 de abril de 2006.

O projeto do Teatro de Natal consiste em um complexo cultural com quatro salas de espetáculo, com capacidade para 200, 400, 600 e 2.000 pessoas, biblioteca e praça de eventos, em 20 mil metros quadrados de área construída. O projeto foi orçado em R$ 527 mil, e o valor previsto para as obras é de R$ 12 milhões.

O Teatro de Natal será construído no terreno da antiga oficina do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), na Avenida Romualdo Galvão. O concurso público para seleção do projeto arquitetônico foi realizado em outubro de 2005, teve 209 trabalhos inscritos e 75 avaliados pela comissão julgadora. O arquiteto vencedor recebeu R$ 60 mil de premiação.

Mas que cousa! onde estamos?
- No Brasil
Entendi.

Link para a matéria inteira no diário de Natal:

sábado, outubro 11, 2008

Passando batom no Palácio


Ao mesmo tempo em que corre o processo licitatório para a feitura dos projetos executivos e complementares da reforma do palácio Iguaçú, corre também uma revindicação pela revisão do anteprojeto realizado pela SEOP (Secretaria de Obras Públicas) feita pelos arquitetos locais, que primam pela conservação do patrimônio moderno da cidade.

O ponto está na nova esquadria, com modulação diferente da existente e a troca dos vidros transparentes para vidros verdes. A  fachada é sul e não haveria necessidade de qualquer vidro especial, a não ser, conforme empregado,  por um mero efeito midiático. E dentre outras coisas curiosas no projeto, é a não representação da soltura das lajes, característica modernista da fachada livre, utilizada pelo arquiteto David Xavier de Azambuja em 1951, entendendo-se que as prolongariam  até o perímetro da esquadria, rompendo com a composição original, de transpasse dos pilotis na fachada.

A questão é que a intervenção descaracteriza um importante edifício que faz parte do conjunto de obras realizadas em comemoração ao centenário da emancipação política do estado do Paraná, como o colégio Tiradentes, Praça Dezenove de Dezembro, conjunto do Centro Cívico, Biblioteca Pública e o Teatro Guaíra. Obras que são marcos de referência da arquitetura moderna paranaense.

Aí penso eu,...será que chama mais a atenção a restauração do edifício respeitando suas características originais ou uma maquiagem com um belo Ray-ban? 
Não sei.

Saiu matérias no portal rpc:


Estamos acompanhando e vamos ver no que vai dar tudo isso.

quarta-feira, outubro 08, 2008

O FUTURO, A QUEM PERTENCE?

Desde que comecei a prestar alguma atenção no que acontece nesse mundão vejo os países de primeiro mundo (América do Norte e Europa Ocidental) gradualmente transferirem suas fábricas, o trabalho sujo, para o Hemisfério Sul. Grande, muito grande parte para a China e seus correlacionados tigres asiáticos, América Latina, etc. Este movimento me leva a acreditar que o Hemisfério Norte se torna o grande escritório do mundo, onde as decisões são tomadas, onde o tempo é ocupado em pensar o que fazer do planeta, enquanto aqui embaixo o tempo = produção, no sentido mais material da palavra.

Rapidamente menciono a realidade africana, continente mais rico do mundo, fácil, pela concentração de petróleo + diamantes, onde desde a colonização européia foi esculhambado com a definição de territórios a revelia da realidade pré-existente que levou à guerra tribal que não se pode prever quando terminará. Hoje em dia se coloca um presidente ditador, aprovado pelos europeus que detém o poder de extração dos recursos naturais.

No Brasil está todo mundo de olho, empresas e ONG’s estrangeiras já decidem o que fazer, o que se pode ou não na Amazônia.

Acho que está na hora do Sul mandar no mundo. Dominar total. Está facinho.

Brasilzão fecha geral os recursos naturais, manda todo mundo não brasuca embora, Institutos, Coletivos, vão tomar conta da parada, acompanhar de perto de tudo o que rola, madeireiras fora, na Base de Alcantara em um raio de 1000 km, só Forças Armadas do Brasil. Foco na implantação de infra-estrutura-básica rural, o Brasil se tornará um gigantesco produtor de agricultura orgânica. Cada propriedade, 40%  no mínimo de reserva legal, 40% produção vegetal, 10% no máximo de pecuária, 10% permitido para construção.

Na Ásia, as fábricas não mandam mais na da pros USA, as fábricas da Nike, GAP, param tudo. Criam uma marca própria e começam a exportar eles mesmos, chega de escravidão.

Na Índia, os grandes nomes do cinema se mandam para Bollywood (a Hollywood indiana), todo mundo para o país que mais produz cinema no mundo a realizar os filmes de sucesso, os blockbusters. (Spielberg saiu da Paramount e fundará um novo estúdio em sociedade com o grupo indiano de telecomunicações Reliance. A Reliance é propriedade do multimilionário Anil Ambani e uma das maiores empresas de Bollywood --como é conhecida a gigante indústria cinematográfica indiana).

Na África, recomposição territorial das tribos sob um Estado Nacional que compreende todo o território africano. A produção petrolífera e de pedras preciosas gerariam um fundo comunitário para este Estado majoritário. Com um plano de ações básicas definidas democraticamente.

Hummm, democraticamente, acabo de me lembrar do GRANDE exercício democrático brasileiro. Eleições municipais. Meus parabéns a quem votou consciente, mesmo perdendo. Aos que significam a parcela consciente da sociedade faço um lembrete: A democracia ainda não existe. Os grandes grupos e organismos financeiros mundiais determinam tudo o que vai rolar, até onde se ‘democratiza’ o acesso aos insumos básicos da vivência. Muita coisa a realizar. A humanidade está em processo de gestação.

 

P.S. - A princípio iria escrever sobre a crise econômica que está em processo a partir dos USA, algum dos próximos capítulos.

sábado, setembro 27, 2008

O dia é 5 de outubro

Assíduos milhares de leitores do genius-loci!
As eleições para prefeitos e vereadores nas cidades de todo o Brasil estão chegando!
Não obstante, as dúvidas e a falta de interesse e consciência também, frente à esculhambação que anda nossa política.
Os arquitetos e urbanistas que deveriam ser atores importantes na transformação das cidades, não podem cair nessa de "não estou nem aí". Como todos os habitantes devem escolher bem seus repesentantes, os profissionais que estão ligados diretamente com o desenvolvimento das cidades têm por obrigação estar no mínimo conscientes e no melhor dos casos, a par dos problemas e propondo melhorias. Desconfio também que este é um caminho para o maior reconhecimento da profissão, ocupando tempo com essas coisas e não outras, e assim poder ser visto como alguém útil e importante para o desenvolvimento das cidades, pois ja tem gente demais mexendo com perfumarias. Vamos pensar também no que interessa.

Separei aqui, quatro videos interessantes do quadro Marcelo Tas na Zona Eleitoral.
No último espisódio temos até uma entrevista com o arquiteto e urbanista Ciro Pirondi, falando coisas estranhas como: "O amor pela cidade"
Muito bom! e como sempre, bem humorado!
Se divirtam-se e bom voto!


Episódio 1
Como surgiram as cidades?


Episódio 2
O prefeito do maior prédio do Brasil


Episódio 3
No que é preciso pensar para escolher o candidato?


Episódio 4
Como cuidar das cidades?

segunda-feira, setembro 15, 2008

Arquitetura da Felicidade

Certamente, ou não,... muitos ja se pergutaram:
Qual a verdadeira razão de alguém almejar morar hoje numa casa da era pré-industrial?
Boa né? e qual é a razão?
Então,... por que atualmente gosta-se tanto dos elementos gregos, romanos,...de casas tipo chalé, tipo moinho holândes, tipo enxaimel,... tipo tudo, menos o que é do nosso tempo..., justo na época da explosão digital, da informação , os celulares,...ora, até as geladeiras se conectam à internet!, a nanotecnologia, o recente acelerador de partículas a fim de provar a teoria do Big-bang, ( essa matô né!) enfim,..qual a razão?
Ora meu caro! porque acham bonito,... dá status,..essas coisas de gente descolada,.. e além do mais, ... gosto não se discute!
Humm, será mesmo?
O filósofo Alain de Botton no seu livro arquitetura da felicidade, que deu origem ao dvd, abre um cenário interessante e rico na busca de entendermos melhor esses e outros fenômenos que habitam a cabeça das pessoas no quesito arquitetônico e a infernal preferência pelo, conforme ele mesmo diz, neo-vernacular!
Segue um dos vídeos que estão pendurados no youtube:


domingo, setembro 14, 2008

Ora beira do caos, ora eira da paz

Em torno a panacéia arquitetônica de toda ordem, acho até natural a vista turvar e perder o foco. Esfregamos os olhos, limpamos os óculos e ainda essa imagem blur, inquieta, incômoda, resiste, ...
Quando isso acontece, o coração pode reconfortar-se abrindo um livrinho, quase um pocket, muito singelo mesmo, escrito na capa somente, arquitetura. São palavras do Dr. Lúcio à gente moça do ensino secundário, em encomenda feita pelo Ministério da Educação para integrar uma coleção de dez livrinhos sobre cultura nunca antes comercializados.
Na orelha alguns recados de Lucio:

“O Brasil é um país precursor, dará o seu recado no tempo certo.”

”...recusar subserviência, inclusive cultural, mas absorver e assimilar a inovação alheia.”

“Apesar dos contrastes e das circunstâncias, o país, graças à força viva que o impele, está fadado a um grande destino porque não tem vocação para a mediocridade.O Brasil jamais será um país medíocre.”

Bonito!,... a quanto tempo eu não ouvia algo assim,...

E olhem só, separei esse trecho em que o próprio Lúcio descreve seu coração reconfortado:

“Vendo aquelas casas, aquelas igrejas, de surpresa em surpresa, a gente como que se encontra, fica contente, feliz, e se lembra de coisas esquecidas, de coisas que a gente nunca soube, mas que estavam lá dentro de nós.” (1929)

Praticamente um acalanto para o espírito.

segunda-feira, setembro 08, 2008

BRAZILIAN TOWN - novo souvenir arquitetônico na estante dos Emirados


A bola da vez por lá é verde-amarela. Brasil!!!!
Lendo despretenciosamente o caderno de imóveis da Gazeta do Povo, noto uma matéria que poderia até passar despercebida pelo tamanho, não fosse o título: Prédio em forma de Pão de Açúcar. Gol!!!!
Esse tipo de chamada até quebra a monotonia desses cadernos imobiliários que ultimamente só tem apresentado variações de edifícios inspirados no palácio de Versalhes.
Que tal um Maison Queops residence pra variar um pouco?
Uns hieroglifos muito descolados e coisa e tal,...acho que dá samba!

Não mais que isso,... a intenção arquitetônica foi de revestir o empreendimento com a identidade brasileira, através da sutil referência ao Pão de Açúcar e não obstante com a arquitetura do Oscarito ( Pampulha) . - Muito bem sacado!

Vejamos:
- Terreno com 168 mil metros quadrados
- 160 mil de área construída (apertadinho)
- Na torre maior com 20 pavimentos, shopping, supermercado, restaurantes,..., na outra com 12 pavimentos, flats de 69 metros quadrados a U$$901 mil, (cerca de 1,5 milhão) quase R$ 22 000,00 o metro quadrado.
Acho que ta bom!

Facilitando a vida, pra comprar é aqui.

Numa leve garimpagem que fiz na mega teia, descolei essa implantação de fazer morrer de inveja qualquer confeiteira.
Acho que o bolo da Indepêndencia está pronto, não tá?
Pra quem prestou atenção na fachada e achou que me esqueci de comentar um mero detalhe,.. aí vai,.. No topo de cada torre, uma iluminada praça de alimentação com vista panorâmica e interligadas por um bondinho, o quê? isso mesmo, bondinho, quenenque fosse no Rio!! Inauguração para 2010.

sábado, agosto 23, 2008

A Arte do Sanaa - Bravo online

Quais as relações entre a arquitetura e a arte hoje? Uma mostra em cartaz em São Paulo, sobre o escritório japonês Sanaa, responsável, entre outros, pelo projeto do prédio do New Museum, em Nova York, mostra que cada vez mais as duas áreas se relacionam

Ao visitar a exposição Sejima + Nishizawa/ Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na cidade de São Paulo, a impressão que se tem, apesar de ser uma mostra de projetos da firma japonesa Sanaa, dos arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, é que ali se exibe o trabalho de uma dupla de artistas plásticos.
Já na entrada, no grande salão, uma maquete de 10 metros por 7, toda branca, espalha-se pelo chão e mostra, em detalhes, como será o Learning Center da Escola Politécnica Federal de Lausanne. A complexa estrutura, que divide seus espaços por meio das ondulações do próprio piso e do teto, tem o início de suas obras (começo de 2008) ilustrado em 28 fotografias acomodadas na sala menor do instituto.
Nas outras duas salas - que se diferenciam por exibir, em uma, maquetes e, em outra, fotos, desenhos e vídeos -, o tratamento dado às peças e a maneira de dispô-las constroem um impacto poderoso no público. A primeira, por exemplo, convida a um passeio surreal em meio a maquetes de prédios assinados pela dupla, marcados pelas estruturas finas e por transparências, como as caixas empilhadas do New Museum, em Nova York, e o projeto do anexo do Louvre, em Lens.
"Para mim, uma é a sala de esculturas (maquetes), e a outra, de pinturas (fotos, desenhos e vídeos)", diz Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake, que negociou a vinda dos arquitetos com a curadora da exposição, a japonesa Yuko Hasegawa, por cerca de dois anos. "Não é fácil montar uma mostra como esta, mas a meta é ter a arquitetura dentro do nosso espaço pelo menos uma vez ao ano", conta.
As relações entre conceitos da arquitetura e das artes plásticas sempre existiram. Mas o que se vê hoje é uma forte simbiose, em que as mesmas idéias transitam entre os dois meios e uma área inspira a outra. Artistas como o norte-americano Olafur Eliasson e a brasileira Lucia Koch, por exemplo, usam a arquitetura como matéria prima de suas obras, enquanto que firmas de arquitetura, como a suíça Herzog & de Meuron (responsável, entre outros, pelo Estádio Nacional de Pequim, "o ninho de pássaro") e o próprio Sanaa, usam de conceitos da arte contemporânea em seus projetos.
Uma das maiores preocupações de Sejima e Nishizawa é encontrar maneiras de propor certos tipos de relações entre os indivíduos que ocupam um mesmo edifício, entre as pessoas e o próprio prédio, e entre a construção e seus arredores. Assim, criam casas em que todos os cômodos se comunicam, museus sem circuitos de visitas pré-definidos e paredes transparentes, que deixam ver, de dentro, o verde das árvores do entorno. Essas idéias, nada mais são que alguns dos conceitos da arte de hoje aplicados na prática.
Sejima + Nishizawa/ Sanaa: Flexibilidade, Transparência, Amplitude demonstra, assim, não só as intersecções entre arte e arquitetura, mas prova também a importância da arquitetura, hoje, para as artes plásticas. E vice-versa.

domingo, junho 22, 2008

Entrevista com Helio Piñon

A DOUTRINA, A TEORIA E A PRÁTICA
PARA HELIO PIÑÓN, A INOVAÇÃO É IRRELEVANTE E A ADOÇÃO DO CONCEITO COMO CRITÉRIO DE AÇÃO, DESASTROSA
POR VALENTINA FIGUEROLA FOTO MARCELO SCANDAROLI

Pesquisador, professor, crítico e arquiteto. Essas são algumas das atribuições do espanhol Helio Piñón, que esteve recentemente no Brasil a convite do Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura (Propar) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em Porto Alegre, na UFRGS, e em São Paulo, na Escola da Cidade, deu palestras e ministrou o curso Projeto, Modernidade e Aprendizado. Dono de opiniões muitas vezes radicais, fundamentadas em um discurso claro e coeso, Piñón acredita que a arquitetura, sobretudo a que se pratica desde a década de 70, vive um processo de intensa decadência, marcada pela proliferação de "modismos" que são incentivados pelas faculdades de arquitetura e revistas especializadas no assunto. "Faz 30 anos que a arquitetura se converteu num elemento de consumo midiático e econômico", declara o arquiteto, que é autor de mais de 21 livros sobre arquitetura, um deles sobre Paulo Mendes da Rocha (Paulo Mendes da Rocha, Coleção Documentos de Arquitetura Moderna, Romano Guerra Editora). Em 2000, fundou o Laboratório de Arquitetura da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona, onde desenvolve sua atividade profissional e investigativa. O lançamento do livro A teoria do projeto, pela editora Livraria do Arquiteto, traduzido por Edson Mahfuz, foi um dos principais motivos da visita de Piñón ao País. "O livro responde às grandes questões do projeto de arquitetura, abordadas com a perspectiva de quem compartilhou, durante 35 anos, a prática profissional com a reflexão e a docência", diz Piñón. Nascido na cidade de Onda, em 1942, é autor de numerosos projetos na Espanha e em outros países, realizados em conjunto com Albert Viaplana, como a Praça dos Países Catalães e o Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona.

aU COMO SURGIU A IDÉIA DE PUBLICAR O LIVRO A TEORIA DO PROJETO NO BRASIL?HELIO Piñón Foi uma iniciativa de meu amigo Edson Mahfuz, com quem mantenho uma relação pessoal e epistolar há anos. Ele me propôs traduzir o texto para o português, o que, conhecendo a seriedade com que aborda seus trabalhos, me pareceu um luxo: na realidade, é a única maneira de abordar um projeto dessa natureza, se quer que as idéias não acabem desvirtuadas por efeito da transposição lingüística. Enviava-me os capítulos à medida que os traduzia e devo confessar: praticamente não encontrei objeções a seu trabalho. Quero aproveitar para fazer público meu reconhecimento a Mahfuz e agradecer o projeto de traduzir outros textos complementares ao de Teoria do projeto, da mesma coleção.

aU QUE LIÇÕES O LEITOR PODERÁ EXTRAIR DO LIVRO?
Piñón Entendo a teoria como a tentativa de resolver, mediante a reflexão, aquelas questões sem resposta no sentido comum; nada a ver, portanto, com a doutrina, que tem um propósito didático baseado em um conjunto de princípios que definem o estado de opinião de alguém sobre algum assunto. A diferença não está, portanto, no grau de subjetividade – a teoria é subjetiva, posto que é resposta de um sujeito a um problema – mas sim no propósito da reflexão: o da teoria é adquirir conhecimento, o da doutrina, difundi-lo. Em Teoria do projeto tratei de encontrar resposta para as questões estéticas e operacionais levantadas pelo projeto moderno na arquitetura. Há 50 anos a arquitetura moderna era hegemônica, de modo que se podia aprender apenas olhando as revistas que publicavam as obras fundamentais. Mas a proliferação de concepções surgidas ao longo das últimas décadas faz com que o nível de consciência deva ser maior. É aí onde acredito que meu livro pode resultar útil, porque esclarece o sentido de uma arquitetura real que, pelo que vejo, volta a interessar a uma maioria de arquitetos comprometidos com sua atividade e com a história.

aU O LIVRO SE BASEIA EM PROJETOS DE SUA AUTORIA? QUAIS OS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA ESCOLHÊ-LOS?
Piñón Não, o livro não está baseado em nenhum projeto específico, mas em toda a arquitetura que me interessou – e da qual aprendi e continuo aprendendo – desde que comecei meus estudos de arquitetura, há quase 50 anos. Na realidade, os temas que abordo no livro são os temas da arquitetura em geral, mas com a particularidade de que não foram retirados de um livro, e nem de discursos alheios, mas sim da experiência direta da arquitetura. Os grandes temas do livro respondem às grandes questões do projeto de arquitetura, abordadas da perspectiva de quem vivenciou durante 35 anos a prática profissional com a reflexão e a docência. A modernidade, ou seja, a dialética entre a forma e o olhar, proporciona a perspectiva com a qual se aborda a técnica, o lugar, o tempo e a sociedade.

aU O SENHOR DIZ QUE "A ARQUITETURA NÃO DEVE SER NOVA PARA SER BOA", E QUE "A ATUAL OBSESSÃO PELA INOVAÇÃO É ALGO NOCIVO". ESSA INOVAÇÃO A QUE O SENHOR SE REFERE SERIA TECNOLÓGICA OU FORMAL? EXISTE ALGUMA CIRCUNSTÂNCIA EM QUE A INOVAÇÃO É AUTÊNTICA E BEM-VINDA NA ARQUITETURA?
Piñón O problema da inovação é que ela se associa a uma questão mal colocada. A inovação não é boa e nem má, simplesmente é irrelevante para a qualidade de uma obra de arquitetura, ou de arte, em geral. Aliás, situar o propósito da inovação aliena a prática do projeto, de modo que a surpresa ocupa o lugar que deveria ocupar a qualidade. Isto serve tanto para a inovação tecnológica como para a formal. A qualidade essencial da arquitetura é a identidade da obra, definida como conjunto de qualidades que fazem que uma obra chegue a ser algo mais do que um amassilho de intenções e desejos. Se uma obra de arquitetura chega a ter uma identidade própria como universo ordenado – o que não é fácil e nem óbvio – provavelmente será inovadora no sentido estrito, porque a autêntica inovação é a que afeta a configuração do edifício, não aquela que se limita a renovar sua aparência.

aU O SENHOR DIZ QUE SE AS FACULDADES FECHASSEM, A QUALIDADE DA ARQUITETURA SERIA MELHOR. POR QUE, EM SUA OPINIÃO, AS escolas ESTÃO LEGITIMANDO A DECADÊNCIA DA ARQUITETURA?
Piñón As faculdades começaram a legitimar a decadência da arquitetura no momento em que assumiram o pós-modernismo sem advertir seu efeito perverso sobre o que tratavam de ensinar. Agora assumem a redução do arquitetônico ao midiático, sem explicar claramente que grande parte do que preenche as revistas atualmente não tem nada a ver com a arquitetura. O problema é que grande parte dos professores não tem nenhuma alternativa senão oferecer a troca de modas na qual se baseia a arquitetura dos últimos 40 anos. E eu diria que nem são conscientes desse fenômeno.
aU QUAL SERIA, ENTÃO, A METODOLOGIA PEDAGÓGICA IDEAL? O SENHOR A PRATICA?
Piñón Não me atrevo a falar de metodologia a respeito de uma prática que de nenhum modo pode ser considerada científica e que, aliás, tem uma forte dose de intuição. De qualquer maneira, o procedimento que utilizo há duas décadas, e que ofereço a quem o considere razoável, é trabalhar com a arquitetura como material de projeto, ou seja, aliviar o aluno da necessidade de elaborar sua própria matéria-prima, tarefa para a qual não está preparado e, em vez disso, fazê-lo trabalhar com arquiteturas exemplares. Na realidade, a arquitetura sempre foi aprendida dos edifícios. Somente há 40 anos é que se trata de ensiná-la mediante conceitos, com os resultados que todo mundo conhece. Minha atitude diante da arquitetura é similar à que tinha Bach diante da música, quando recorria às melodias de Haendel, Vivaldi ou às suas próprias, tendo a obrigação de compor uma cantata semanal, em seu estágio de Kantor na igreja de Santo Tomás de Leipzig.

aU MUITOS ESTUDANTES DE ARQUITETURA E RECÉM-FORMADOS PERCEBEM O DISTANCIAMENTO ENTRE O DISCURSO DOS PROFESSORES E SUAS PRÁTICAS PROFISSIONAIS. COMO PROFESSOR, ARQUITETO E CRÍTICO, O SENHOR TRANSITA CONSTANTEMENTE PELOS ÂMBITOS PRÁTICO E TEÓRICO. COMO MANTÉM A COERÊNCIA NESSE PROCESSO EM UM MUNDO ONDE A ARQUITETURA É OBJETO DE CONSUMO?
Piñón Manter a coerência entre dois universos que praticamente se ignoram – o da arquitetura e o de sua prática social – é impossível. Em todo o caso, pode-se manter a coerência pessoal, ou seja, entender a teoria como a intenção de resolver por meio da reflexão aquelas questões que não têm explicação mediante o sentido comum. E entender a prática como uma atividade comprometida com a representação da construção, e não com a materialização, a qualquer preço, de uma série de caprichos determinados pelo estado de ânimo.

aU NO EDIFÍCIO DA PREFEITURA DE BENISSA, EM ALICANTE, A MALHA ESTRUTURAL DO ESTACIONAMENTO FOI O PONTO DE PARTIDA PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO. EXPLIQUE O PORQUÊ DESSA DECISÃO.
Piñón Não. A malha estrutural não foi o modo de desenvolver o projeto entendido como concepção, senão o modo de começar a defini-lo como materialidade. Não creio que haja outro modo de fazê-lo, a não ser que o arquiteto seja tão irresponsável que não se importe com a baixa eficiência do estacionamento. De qualquer maneira, no Laboratório (de Arquitetura da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona) nos acostumamos a trabalhar sobre uma pauta sistemática por razões tanto materiais quanto formais: na arquitetura moderna não se dispõe da garantia de sistematicidade proporcionada pelas ordens e pelos tipos clássicos da arquitetura classicista, de modo que se deve consegui-la com o projeto. Desde que tenhamos de escolher uma unidade modular, parece razoável utilizar uma retícula estrutural que, ajustando-se às medidas de um estacionamento, seja compatível com o resto das atividades do edifício.

aU EM SUA OPINIÃO, A ARQUITETURA DAS ÚLTIMAS DÉCADAS, SOBRETUDO A DOS ÚLTIMOS 50 ANOS, É VISUALMENTE BANAL, E ISSO ESTARIA ASSOCIADO AO "ECLIPSE DO OLHAR". ESSE TERMO SE REFERE À PERDA DE CAPACIDADE VISUAL E ANALÍTICA DO ARQUITETO?
Piñón Os arquitetos sabiam ao que se ater até os anos 70, quando dispunham de um modo de conceber, de elementos e critérios que atuavam como matéria-prima para os seus projetos. Assim se atingiu, em setores amplos da arquitetura internacional, um nível de qualidade excelente. O chamado Estilo Internacional alcançou seu ápice nestes anos. O abandono dos critérios de modernidade, sem dispor de outros valores para reposição, fez com que os arquitetos que liderassem "a reforma" propusessem o conceito como critério de ação e, ao mesmo tempo, como instância de verificação do projeto. No futuro, o conceito não só proporcionaria o estímulo do projeto, como também serviria para comprovar o resultado. Se o projeto se ajusta ao conceito que o provocou, tudo bem, caso contrário, tudo mal. Essa solução resultou muito cômoda para a maioria dos arquitetos, mas foi nefasta para a arquitetura. A renúncia da dimensão cognoscitiva do olhar deu possibilidades de projetar com certa confiança a pessoas não especialmente dotadas para a arquitetura, o que provocou uma modificação "de valores e de poderes" que pairam sobre a situação atual.

aU FALA-SE MUITO SOBRE ARQUITETURA ATUALMENTE, MAS O SENHOR NÃO CONSIDERA ISSO BOM. POR QUÊ?
Piñón Faz 30 anos que a arquitetura se converteu em um elemento mais do consumo midiático e econômico. Por exemplo, há muito mais revistas do que há 40 anos, mas não conheço nenhuma que esteja tão bem considerada como algumas que havia quando comecei a carreira. O falar de arquitetura, nos termos em que se faz, tem, em parte, um efeito tranqüilizante sobre as consciências que inibe a capacidade crítica, tanto de arquitetos como de cidadãos e, por outro lado, cria a ficção de que a boa arquitetura é aquela sobre a qual se fala, o que não pode estar mais longe da realidade. Começarei a duvidar dos métodos para curar o câncer de próstata, por exemplo, quando os jornais e semanários os tratem com a freqüência – e a frivolidade – com que faz décadas se trata a arquitetura.