Confiram aqui os premiados e as menções honrosas.
Como não beliscamos nada e a vida tem dessas coisas, divulgo abaixo nossa proposta.
Arquitetos: Reinoldo Klein, Orlando Ribeiro, Daniel Arantes e William Nishii.





Na minha ultima postagem, eu escrevi sobre a identidade da arquitetura com o lugar em tempos de globalizacao. Ai, o Rossin enviou um comentario questionando a possibilidade de “…enxergar referencias…” nas grandes metropoles para criar uma arquitetura que se identifica com o lugar. Depois de meses consegui materializar uma resposta para ele.
Rossin, eu acredito que a arquitetura para as metropoles se identifica com seu lugar de implantacao quando trabalha nao so com o programa do edificio, mas incluindo um segundo programa , este para o lugar.
Este programa contemplaria possibilidades de renovacao, reestruturacao, revitalizacao ou revolucao deste lugar. Nas diversas areas: social, urbana, comercial, estetica.
Arquitetura Holistica, como defendida por Juan Otoya.
Ai sim poderia se criar uma obra em acordo com a metropole e suas demandas, a partir do entendimento de como essa cidade funciona, e quais as solucoes que esta obra poderia favorecer.
A identidade de uma obra de porte com a metropole esta alem do partido arquitetonico adotado.
O mote para essa discussao foi o questionamento da contratacao dos pops Herzog & De Meuron (suicos) para o projeto de Teatro de Danca na cracolandia, area da cidade de Sao Paulo, onde ja estao instaladas a Sala São Paulo, Pinacoteca, Estação da Luz, e Estação Pinacoteca , nenhuma delas representa algum sucesso na intencao de transformacao social da area do crack. E muito provavelmente a nova sala de espetaculos ,que conta com um orcamento de R$ 300 milhões para a obra, nao olhara pelas nossas criancinhas, como pede o Pele’.
Para entender o que esta rolando atualmente nesta area, acesse link a seguir, do brilhante colunista Rodrigo Silva, mais conhecido como Indiana.
A contratacao de arquitetos estrangeiros para a realizacao de projetos importantes deve fazer bem ao Brasil, espero que tenha uma repercussao proxima a que houve quando o Corbu veio, a convite de Lucio Costa apoiado pelo entao ministro da cultura Gustavo Capanema, para contribuir no projeto do MEC, obra pioneira de uma arquitetura moderna brasileira, original, mesmo seguindo os conceitos corbusianos.
Agora o que vem de certa forma ditar as regras arquitetonicas em acordancia com a globalizacao e’ o SUPERMODERNISMO, conceituado em livro de Hans Ibelings que leva esse nome (Gustavo Gili, 1998). A arquitetura supermoderna assumiria uma neutralidade em relacao ao seu lugar de implantacao, o que favorece a padronizacao e permite uma reaplicacao daquele modelo em diferentes lugares e acomodando diferentes programas.
Em termos gerais nao me agrada essa neutralidade. A percepção mais superficial já pode nos fazer perceber que caminhamos a uma padronização. Os rumos da globalização indicam um certo modo de vida àqueles que abraçaram a ocidentalização, até hoje muito próximo ao american way of life (em franca decadencia a um bom tempo) que utiliza um disfarce democrático e libertário para nos atrair a sua rede de consumo e competição ferrenhos.
Acredito que temos que trabalhar como agentes anti-cultura dominante, inclusive para ajudar a Terra a voltar ao seu batimento cardíaco natural (ver Leonardo Boff, artigo postado a seguir). Estimular a resistência das características inerentes a cada organismo seja isso um ser ou um povo. O que a história e a evolução natural criaram deve ser avaliado com olhos de principiante, sem preconceitos e com a busca a uma contextualização de tempo e espaço.
Outro dia li um texto do Lebbeus Woods sobre a padronização onde ele dizia observar que “o desaparecimento de diferentes culturas locais, como resultado da expansao global do consumismo e suas marcas associadas ao marketing de massa, so’ faz crescer. Cedo ou tarde cada ocupacao humana parecera igual.” (http://lebbeuswoods.wordpress.com/2009/01/13/same-difference/)
Algo que me chamou a atencao sobre esse tema foram os aeroportos antilhanos de Curaçau e San Martin, por onde passei a pouco tempo.
No caso de San Martin foi construído um aeroporto que poderia estar em qualquer lugar do mundo. Atende bem a seu uso específico, porém a solução térmica é o ar condicionado, os materiais utilizados conferem uma cara hi-tech à construção e, além disso, o edifício é hermeticamente fechado, não há comunicação nenhuma com o exterior. O resultado é uma obra impessoal, insossa, ou seja, um padrão. As pessoas lá estão com cara de aeroporto, não de Caribe.
Vista do aeroporto de Sint Maarten
Vista Interna do aeroporto de Sint Maarten
Já em Curaçau foi construído um aeroporto caribenho, concebido tecnicamente com as soluções térmicas interessantes, como sheds para iluminação e ventilação natural, e mega ventiladores (da marca big ass fans), mas a principal adequação (e segundo Contanza, elegância é adequação) é o partido arquitetônico local. As empenas remetem as construcoes historicas de Curacau, para ilustrar essa analogia seguem as imagens do Landhuis Daniel, antiga sede de fazenda que foi transformada em hotel-restaurante, do centro historico de Curacau e do Aeroporto.
Sera importante que nessas intervencoes de arquitetos estrangeiros, parte deles supermodernos, no Brasil, alem das caracteristicas inerentes a sua arquitetura, se possa observar suas leituras sobre os espacos urbanos, e que isto favoreca as demandas sociais a ponto de gerar uma contribuicao que transcenda o edificio, o que acredito que acontecera, ou ja esta acontecendo.
P.S.: vale a pena uma olhada no pouso dos avioes no aeroporto de Sint Maarten

Pessoal,
Esta é a fachada da Etersul, empresa responsável pela troca de 1600 telhas da igreja Renascer em Cristo, que veio abaixo no domingo, matando 9 pessoas e deixando 124 feridos.
A Igreja, que funcionava com alvará sem a realização de vistoria, relizou reforma sem autorização da prefeitura, diz ser a Etersul, sem registro no CREA, a culpada pelo desastre. E sem mais; uma nota da folha que vem realizando a cobertura do caso:

Pessoal,
Não sei se viram a matéria que saiu na ilustrada da Folha.
Gringos reforçam arquitetura de SP.
Trata-se do pouso em terras Brazucas – São Paulo - do escritório com sede em Nova York, ABB Aedas.
No post anterior, publiquei um link com o ranking dos cem maiores escritórios do mundo, onde figura o Aedas com faturamento de 18,6 milhões de dólares, só em projetos de Cultura (Teatro e museus).
De acordo com a matéria, os gringos ficaram animados com a tal internacionalização da arquitetura Brasileira, marcada com a vinda de Siza, com seu recém inaugurado, Museu Iberê Camargo/RS; Christhian de Portzamparc – com a construção a la brasileira da Cidade da Música/RJ – ; a famigerada contratação de Herzog & De Meron para o projeto do Teatro de Ópera e Dança na cracolândia, bem como, as investidas internacionais de nosso Priztker PMR. Se bem que o Aedas já vinha roncando a cuíca por estas bandas, com a realização de alguns projetos; em Guarulhos, Sorocaba e Campinas.
Quem irá pilotar a firma gringa por aqui é a arquiteta Anna Julia Dietzsch, brasileira, da FAUUSP, que diz sobre um projeto do Aedas para torres residenciais em São Paulo:
” Queremos uma área permeável e aberta para a cidade, não será um dos condomínios típicos de São Paulo.” Bonito!
Ah, quem ilustra a matéria é o escritório franco-braileiro Triptyque, como exemplo de atuação gringa na terra da garoa.
E nesse clima um tanto melindroso de globalização arquitetural no Brasil, vem a calhar o que Dr. Lúcio escreveu em, Registro de uma vivência:
”Recusar subserviência, inclusive cultural, mas absorver e assimilar a inovação alheia.”
É isso aí, " deixa o zóme trabalhá".


A edição de janeiro da projeto design, traz uma entrevista interessante com Alejandro Aravena, arquiteto chileno que figura entre os dez de maior projeção na vanguarda arquitetônica, na lista realizada pela Architectural Record.
Alguns destaques da entrevista:
Falando sobre à arquitetura brasileira,...
”...para o tamanho do país, a arquitetura brasileira contemporânea é muito ruim. Há coisas vergonhosas, e surpreende que seja assim, com o Brasil tendo a escola que teve, tendo a geração anterior produzido arquitetura de tamanha qualidade...”
O que se salva?
” Entre os atuais, gostaria de conhecer melhor Angelo Bucci, que me parece um exemplo de talento, rigor e elegância notáveis.”
“Já a fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, é uma das coisas mais extraordinárias que foram feitas no mundo atualmente. É notável: Siza se reinventou com esse projeto.”
Esse não vale. Além do que, sua esposa é gaúcha.
Polêmica Herzog e De Meron em São Paulo...
”Creio que é o maior sinal de debilidade da arquitetura brasileira. Quando alguém não está seguro de sua qualidade, tira da frente a concorrência; quando se tem confiança no próprio conhecimento e na expertise em seu campo de atuação, a presença de outras competências, de profissionais de boa qualidade, como é o caso de Herzog e De Meron, é bem-vinda.
...O debate não deveria ser esse, mas sim se o projeto é bom ou ruim.
Trazer alguém de qualidade só melhora o meio e aumenta a competência. Por isso acho que essa discussão é sinal de fraqueza.”
E aí?